“2 Mais 2”: além de dois existem mais

Por Matheus Pichonelli

Tudo nasceu de brincadeira, diria o saudoso Agepê. Durante um jantar, um casal conta aos amigos que se tornou adepto do swing. Empolgados com a novidade, tenta convencê-los a entrar na brincadeira. A mulher hesita, o marido diz que nem pensar – mas pensa.

Aos poucos, os amigos vão, digamos, aprofundando a amizade e adentrando no maravilhoso mundo em que nada nem ninguém é exatamente de alguém. Mas o que era compromisso com uma pessoa vira, de repente, um compromisso com todos, e mesmo nas beiradas de liberdade é possível encontrar brechas para mágoas como em qualquer relação tradicional, passível a ciúmes, paixões, derrapadas.

O corpo, afinal, não é imune ao afeto, e o grande dilema mesmo das melhores e mais libertárias famílias não está relacionado à quebra dos bolsões imaginários de liberdade, mas sim dos bolsões de segurança. Raul Seixas possivelmente teria de rever o refrão de seu clássico libertário “A Maçã”.

“2 Mais 2”, do argentino Diego Kaplan, com Adrian Suar, Carla Peterson (“Medianeras”), Julieta Diaz e Juan Minujin está na lista dos adicionados recentemente no Netflix. É um bom começo de conversa (ou um alerta) para os casais que querem aproveitar o clima de Carnaval para, digamos, ampliar os horizontes.

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