Belchior: um achado ‘perdido’ no YouTube

A dica do dia não está em serviço de streaming nem na programação da TV. É um achado disponível no YouTube do programa “MBP Especial” exibido em outubro de 1974 na TV Cultura com uma longa entrevista concedida por Belchior, um gênio que se tornou conhecido das novas gerações como “o cara que desapareceu” na virada do século.

É uma rara oportunidade de conferir o artista falar da própria obra e de suas influências numa época em que ainda usava barba e não (apenas) o famoso bigode.

Belchior, então com 28 anos, descreve cenários de um país então desconhecido dos grandes centros e o impacto das novidades trazidas pelo rádio, um ponto de difusão com poder incalculável nos dias atuais, em sua Sobral, no Ceará, com uma das melhores leituras sobre a Bossa Nova, a Tropicália, a importância de Torquato Neto na história da música (“ele desafinou  MESMO o coro dos contentes”), o encanto com Hermeto Pascoal, Caetano Veloso, João Gilberto, Luiz Gonzaga, Milton Nascimento (“eu sofri a música dele”), com que se abraçou certa vez “sem poder dizer coisa alguma”, o jazz, o rock americano, os contemporâneos do Ceará, onde um novo pessoal se insurgia, e das canções populares, muitas de cunho religiosos, inspiradas pelo messianismo de padre Cícero, dos populares que conheceu na infância na casa do avô, espécie de coronel local. Fala ainda da importância da poesia, da qual dizia ter migrado para a música, em sua obra, com conhecimento de causa sobre movimentos como o concretista.

De quebra, ainda apresenta uma das versões mais belas de “Diana” (a partir do minuto 21 – de nada), que Caetano acabava de incluir em sua famosa gravação de “Baby”, que Belchior reverencia. (Aliás, reparem como o tom de voz dos dois se parecem quando falam – não quando cantam). A entrevista foi concedida em um momento em que tentativa de emplacar seu primeiro LP, “Belchior”, um clássico obrigatório em qualquer discografia da MBP.

“É preciso novamente polemizar sobre a música brasileira. Muita coisa está acontecendo e as pessoas não estão vendo, não estão falando. Não estou interessado no passado”, previa.

É uma oportunidade e tanto para engrossar o coro do movimento #VoltaBelchior, como pede João Antonio Frans, responsável pelo canal, a quem agradecemos o compartilhamento.

Aprecie sem moderação:

 

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