“Love”: o embate entre o amor real e o idealizado

 

Por Rafael Simi

A Netflix anunciou que a segunda temporada de “Love” será lançada em março.

Enquanto os fãs aguardam ansiosamente, quem não viu tem uma oportunidade de fazer uma rápida maratona.

Os episódios são curtos e, dependendo da empolgação, dá para ver tudo em dois dias (ou um).

“Love” conta a história de Gus e Mickey, um nerd e uma loura gata meio desajustada. Até aí, parece tudo igual a seriados tradicionais de comédia e filmes dos anos 80. Mas a trama é justamente sobre quebra de expectativas.

Gus espera da menina a realização de todos os seus sonhos de adolescente rejeitado, tendo a chance de, enfim, estar na posição do cara popular.

Mickey investe no relacionamento justamente por estar cansada dos rapazes idiotas e dos joguinhos. Acha que com o magrelo de óculos vai comandar tudo e terá, enfim, a sorte de um amor tranquilo.

Quebrando a tradição da dramaturgia oitentista, “Love” nos apresenta o nerd como apenas um idiota que nunca havia tido a chance de exercitar sua idiotice.

Apesar do humor, vemos de forma cruel como os bonzinhos podem ser os piores tipos. Talvez por esperarmos muito deles. Ou, quem sabe, por serem apenas imbecis dissimulados, com seu ar frágil e o discurso de “olha como sou diferente dos outros caras”.

A trama se passa na velha e boa Califórnia, com todas as referências a estúdios de TV, jovens que sonham com empregos criativos e o novo mundo dos aplicativos de transporte, romance e comunicação. Destaque para os atores-mirins, já que Gus é um professor particular, que tenta fazer estrelas em miniatura passarem em seus testes escolares para continuar suas carreiras na TV.

São hilários os dramas e afetações dessas pequenas divas.

“Love” não desencoraja quem procura o amor. Mas tenta mostrar que nos relacionamos com pessoas, e não com a projeção que fazemos delas.

Uma opinião sobre ““Love”: o embate entre o amor real e o idealizado”

  1. Acho que não tive uma visão tão negativa sobre o Gus. Ali, ninguém tá certo ou errado, é mau ou bom. Por mais que muitas mulheres como eu se identifiquem com a Mickey, ela me causa aversão em pensar que pode ser namorada de alguém, com tanto talento para mancadas. E isso é muito humano.

    Já o Gus, traz toda imagem do nerd que causa incômodo e anti-popular, mas se mostra um cara super bacana e aberto.

    A série me causou um sentimento profundo de libertação e desconstrução de clichês, que me fazem fugir de outras produções românticas.

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