O que dizer sobre…’O Destino de uma Nação’?

Por Matheus Pichonelli

Não é exatamente um documento histórico. Em O Destino de uma Nação, o diretor Joe Wright faz daquela que deveria ser a melhor cena do filme uma licença poética: quando Wilston Churchill, de quem se quer retratar os momentos delicados durante a ofensiva alemã na Segunda Guerra, resolve ouvir a opinião dos cidadãos no metrô de Londres sobre uma possível rendição. Deveria ser, mas peca nos instantes finais, quando é contaminada, como boa parte da obra, pela tentativa de resgate do nacionalismo britânico pós-Brexit.

O filme vale pela construção de uma personalidade histórica, no que para muitos é o grande papel da carreira de Gary Oldman, favorito para levar a estatueta de melhor ator.

Apesar da tentativa forçada de pintar o retrato de um herói (em conflito e angustiado no ambiente privado, mas ainda assim um retrato chapa-branca que ignora passagens nebulosas de sua biografia), o filme ganha força quando o humor inglês, do qual a figura excêntrica do primeiro-ministro é porta-voz, assume o primeiro plano da tensão política e geopolítica, dentro e fora do Parlamento.

Em um dos melhores diálogos, o Rei George VI pergunta como o primeiro-ministro consegue beber uísque logo cedo. “Hábito”, ele responde.

A fotografia sombria, comum também a outros indicados, dá o tom do momento em que os períodos históricos são resgatados na premiação deste ano. É como se, num período igualmente nebuloso do presente, o diretor apontasse que as grandes decisões são igualmente tomadas no escuro. Com elas nascem as lideranças históricas, com seus conflitos e contradições que nem sempre cabem na tela quando ela pretende capturar um momento, e não uma biografia.

O Destino de uma Nação 

6 indicações ao Oscar

Melhor Filme
Melhor Ator
Direção de Arte
Figurino
Melhor Fotografia
Maquiagem

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