“Santa Clarita Diet”: O novo cardápio de Drew

 

Por Rafael Simi

Renascer não é algo exatamente novo na vida de Drew Barrymore.

Revelada ao mundo como a menininha fofa do filme E.T, tornou -se alcoólatra ainda criança, envolveu-se com drogas mais pesadas e, antes dos 27, já tinha uma ficha corrida que não faria feio em comparação à de Amy Winehouse.

Resgatada por Hollywood, linda, loura e divertida, brilhou anos depois em uma dezena de filmes de comédia, ação ou ambos.

Nos últimos tempos, voltou a sumir.

Após um divórcio doloroso, ficou deprimida e não pensava em voltar ao batente tão cedo.

Foi quando caiu em suas mãos o roteiro de “Santa Clarita Diet”, uma série produzida pela Netflix que mistura o que a nova dramaturgia norte-americana tem feito de melhor: comédia e histórias com zumbis.

Sheila, personagem de Drew, é uma mulher de meia-idade com uma vida pra lá de comum.

Vida sexual morta, filha adolescente e a profissão-clichê das tramas nos EUA: corretora de imóveis.

Até que, um dia, sofre uma transformação radical. É aí que começa sua epopeia zumbi.

Em tese morta, a personagem torna-se mais viva do que nunca. A explicação é dada pelo vizinho adolescente esquisito da família: os zumbis não têm o obstáculo dos freios aos impulsos primitivos.

Ou seja: é o famoso fazer o que dá na telha.

A lista vai de transar loucamente com o marido com quem até ontem não dava mais nem beijo de língua a virar a sincerona do bairro.

Claro que essa transformação tem impacto naquela família. O que se torna ainda mais complicado diante de sua curiosa vizinhança: de um lado, um policial das antigas, truculento, machista e intrometido. Do outro, mais um policial. Só que negro, gentil e com métodos modernos.

É como viver entre o good cop e o bad cop (além de ser uma analogia interessante sobre as duas Américas do Norte que se enfrentam nesse país de Trump).

Além de não ter filtro, Sheila tem um probleminha típico de sua nova condição: precisa se alimentar de carne humana.

Isso leva a família a lidar com a obrigatoriedade de matar pessoas, precisando encontrar justificativas plausíveis para fazer isso sem culpa.

Em dado momento, a filha adolescente pergunta se a família voltará a ter uma vida normal. Mas Sheila não parece muito preocupada com isso.

O normal é estar viva e sentir-se morta. Como zumbi, é justamente o oposto.

“Santa Clarita Diet” é para rir, mas podemos tirar da trama algumas reflexões.

Recomenda-se, porém, assistir aos episódios após completar a digestão. Nem todos os estômagos são capazes de se adaptar às imagens do novo cardápio de Drew.

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